quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Escória



Todas as bestas do mundo. E os impérios dos sentidos.
De um único golpe, a lei da espada é de todas a mais simples.

De que serve crescer, padecer das dores da alma e sobreviver às horas intermináveis de instrução, à asfixia no supérfluo; saber ocultar todos os odores e diligentemente esconder os fluidos do corpo.
De que serve cuidar de roer o lixo das unhas e poder banhar os longos cabelos negros ao preço de três colheitas por unguento.
É de facto ostentação: o belo sorriso que nunca rangeu a perda de um braço.
Ao inferno, toda esta escória laboriosa.

No campo de batalha, a pé e arrastando o peso do ferro que me cobre, todas os códigos me parecem curtos. Mas não a espada na pura expressão do coração.

Pois de que serve a vida a quem teme a morte.
E então cuspo três dentes de ouro no sangue dos pulmões.

4 comentários:

Frankie disse...

Meu caro,

É bom saber-te de volta, embora ainda não tenha sido hoje que voltei para ler. Ando oca. Nessas alturas afasto-me de tudo; deixo de fazer uma série de coisas, mesmo aquelas que me poderiam dar prazer, como ler-te.
Mesmo assim, é bom espraiar os olhos por esta página e saber que muitas palavras me esperam quando voltar...

Um beijo.

Gotik Raal disse...

Frankie,

Por acaso poder "espraiar os olhos" é uma das pedras fundamentais desta construção. Desta forma, mesmo sem ler as palavras já leste o espaço.

Um beijo,
Gotik

Leto of the Crows disse...

Nem todas as leis simples são justas, mas resolvem o problema de raíz, cresça ele de tronco torto ou direito.

Beijos!

bat_trash disse...

Leis arbitrárias e facínoras prevalecem
E certas coisas erradas...erradas permanecem...

Beijo.